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Artigos

24/01/2011

O INÍCIO DA GEODÉSIA NA PETROBRÁS

O INÍCIO DA  GEODÉSIA  NA  PETROBRÁS

A compreensão da atividade de Geodésia na PETROBRÁS, conduz a definição do que vem a ser esta atividade da maior empresa brasileira. Segundo o Relatório das Nações Unidas – ONU, de 1971, no ítem dedicado ao Controle Geodésico produziu a seguinte definição para Geodésia:

“A Geodésia é a disciplina que determina a posição relativa e absoluta dos pontos de levantamento de controle da superfície da Terra ou próximos dela. Fornece ainda, a infra-estrutura de referência para as operações cartográficas, para as atividades de engenharia e levantamento cadastral, bem como para estudos científicos. Existe a necessidade de estudos geodésicos onde eles não existam”.

É impossível falar-se das questões energéticas no Brasil, sem deixar-se de mencionar a Região do Norte Fluminense, também conhecida por Campos dos Goytacases e por ser de acordo com o IBGE, a Microrregião Açucareira de Campos, por isso vale a pena lembrar um pouco de seu passado histórico.

O Navegador Português Pero de Góis, que chegou no litoral brasileiro com a expedição de Martim Afonso de Souza, em 1530, recebeu a Capitania Hereditária de São Tomé, onde ergueu a Capela de Santa Catarina, em homenagem à Rainha de Portugal. A Capitania não logrou êxito porque Góis não conseguiu vencer os temidos índios Goytacases, que na língua tupi-guarani quer dizer “nadadores muito valentes”, no entender de Simão de Vasconcelos, famoso indigenista eles eram os mais terríveis dentre todas as tribos brasileiras.

Em 1648, o Governador do Rio de Janeiro Salvador Correia de Sá e Benevides, tomou conhecimento da região de Campos e ardilosamente com o apoio dos jesuítas, partilhou com seus capitães a área. Em 1674, Benevides obteve em favor de seus filhos: o Primeiro Visconde de Asseca, Martim Correia de Sá e João Correia de Sá, a doação da Capitania de São Tomé.

A Vila de São Salvador de Campos foi fundada em 29 de maio de 1677. Seus descendentes dominaram por 100 anos até serem expulsos da Baixada Campista depois de muitas intrigas e lutas pela cobiça dos engenhos de cana-de-açúcar, que espraiavam-se pela planície de solo fértil de massapê, onde valeu o heroísmo de homens e mulheres como D. Mariana Barreto e D. Benta Pereira de Sousa (1675 – 1760). A importância das mulheres ficou imortalizada no dito popular da planície Goitacá “Aqui, até as mulheres lutam pelo direito”. A crise de Campos foi tão profunda que levou a Coroa Portuguesa a extinguir as Capitanias Hereditárias, em 1759.

Campos, a terra do melado, da garapa, do chuvisco, do abacaxi e do mamão papaia, sempre esteve na vanguarda dos acontecimentos que envolvem a energia no Brasil. Em 24 de junho de 1883, de acordo com o Geógrafo e Professor de Geografia Melhen Adas (1985) Campos tornou-se a primeira cidade do Brasil e da América do Sul, a receber iluminação pública elétrica, proveniente de uma termoelétrica acionadora de três dínamos, com potência de 52 kW, com capacidade de fornecimento de energia para 39 lâmpadas de 2.000 velas cada uma. A inauguração contou com a presença do Imperador D. Pedro II.

O sucesso da PETROBRÁS em Campos, deve-se ao Engenheiro de Minas e Geólogo Alberto Ribeiro Lamego, nascido em Campos, em 09 de abril de 1896. Lamego estudou em Louvain e em Londres e ao retornar ao Brasil, trabalhou no Serviço Geológico e Mineralógico do Ministério da Agricultura. Em suas pesquisas geológicas no Norte Fluminense detectou os primeiros indícios da existência de petróleo na região, na obra O Homem e o Brejo, do CNG - Conselho Nacional de Geografia, de 1945, na página 27. Tendo produzido os seguintes trabalhos de Cartografia Geológica:

- em 1939 – Geologia do Rio Muriaé, em 1940 – A Geologia na Civilização Campista, Geologia do Rio Muriaé e das Redondezas de Campos, Mapa Geológico da Zona de Carapebus, no Estado do Rio de Janeiro, Geologia da Cidade de Macaé, Esboço Geológico do Estado do Rio de Janeiro, Geognose da Terra Goitacá e Cartas Topográficas e Geológicas do Norte Fluminense.


Campos mereceu atenção da esfera federal por diversas vezes, nos anos 40, 50 e 70, pois, muitos de seus canais que servem ainda a irrigação da cana-de-açúcar foram construídos pelo DNOS - Departamento Nacional do Obras de Saneamento, no sentido de organizar a confusa rede de drenagem na planície deltaica do Rio Paraíba do Sul que já causou inúmeras inundações em Campos, embora esta catástrofe natural fertilizasse os ricos solos da região do tipo massapê.


Mais tarde nos anos 80, com o surgimento do Projeto Pró-Álcool lançado pelo Governo Federal, para livrar o Brasil da crise de combustíveis com a alta dos preços do petróleo no mercado internacional determinada pela OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo iniciada nos anos 70, com a invenção do motor a álcool proveniente da cana-de-açúcar pelo Centro Tecnológico Aeroespacial – CTA do Ministério da Aeronáutica.


PLANALSUCAR – IAA, do extinto Instituto de Açúcar e do Álcool através do PROJIR – Projeto de Irrigação, coordenado pelo Engenheiro Cartógrafo Paulo Eurico de Mello Tavares, Ex-Presidente da SBC – Sociedade Brasileira de Cartografia, ex-Professor de Fotogrametria da UERJ, ex- Diretor de Cartografia da SUDENE, ex- Diretor de Cartografia da PROSPEC e atual Presidente da GEOMÁTICA, que coordenou as atividades de mapeamento no Norte Fluminense, cujo vôo aerofotogramétrico foi elaborado pelo consórcio das empresas de aerolevantamento Aerofoto Cruzeiro e Esteio.

O mapeamento do PROJIR, na escala de 1:15.000 serviu de base para a Tese de Mestrado da Engenheira Cartógrafa Eliane Alves da Silva (1985, 1986 a,b), que empregou vários conjuntos de análise visual e digital de imagens de satélites geradas e doadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, para avaliar os canaviais campistas e detectou inclusive o grave problema ambiental causado pelo aumento dos canaviais com o assoreamento da Lagoa Feia, a maior lagoa de água doce do Brasil, em cerca de 20% do seu espelho d’água, junto à Bacia Petrolífera de Campos.


A PETROBRÁS merece destaque na História da Cartografia Brasileira, em função de sua importância no cenário científico e econômico nacional, desenvolvendo atividades cartográficas que possibilitam a descoberta e exploração do petróleo e gás natural em diversos pontos do território nacional em terra e no mar, desenvolvendo técnicas genuinamente brasileiras. A PETROBRÁS foi criada por Sua Excelência o Presidente da República Getúlio Vargas, em 03 de outubro de 1953.
Sabe-se que do ponto de vista geológico, tanto o petróleo encontrado na Bacia de Campos, como em outras regiões brasileiras, assim como o carvão mineral existente em Criciúma e em Uruçanga, são ocorrências típicas de áreas sedimentares.
O petróleo resulta de uma mistura natural, fluída e oleosa de hidrocarbonetos gasosos, líquídos e sólidos que através de processos químicos, dá origem a vários produtos industriais, tais como: óleos leves, óleos pesados, gasolinas, parafina, álcool, gases combustíveis, resinas, plásticos, cosméticos e produtos farmacêuticos.

O petróleo ocorre devido a transformação no tempo geológico de grandes quantidades de restos de vegetais e animais marinhos que formavam os plânctons nos antigos mares, desde o Paleozóico. Muitas destas regiões foram soerguidas pela ação do tectonismo da crosta terrestre, fazendo com que o petróleo seja encontrado no interior dos continentes e em outros locais são encontrados nos oceanos e mares.


No início de 1960 foi criado o primeiro Setor de Geodésia da PETROBRÁS, sediado na Região de produção da Bahia, onde a Empresa estava fazendo grandes esforços exploratórios nas Bacias do Recôncavo e do Tucano. Como não havia nenhuma publicação de coordenadas das triangulações executadas pelo IBGE na região, começava a existir a necessidade de trabalhos ao longo da costa brasileira, o que demandou por parte da PETROBRÁS a adoção de um datum único em suas atividades geodésicas. O surgimento da Empresa e do CNPq incentivaram também o desenvolvimento da Geofísica no Brasil.


As atividades de Geodésia na PETROBRÁS tem sido conduzidas por cerca de 100 (cem) profissionais (engenheiros e técnicos especializados), distribuídos em cinco Gerências, nas seguintes localidades operacionais: Belém, no Pará; Mossoró, no Rio Grande do Norte; Salvador, na Bahia; Macaé, no Rio de Janeiro e na sede na Cidade do Rio de Janeiro, no famoso prédio de concepção arrojada, na Avenida República do Chile, 65 . O Chefe da Gerência de Geodésia é o Engenheiro Cartógrafo Gilberto Ferrão (1980), formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, e que anteriormente trabalhou na Primeira Comissão Brasileira Demarcadora de Limites – PCBDL/MRE, com sede em Belém, no Estado do Pará.

Tudo começou com a medição e ampliação da linha-base geodésica dentro da Base Naval de Aratu, aproveitando-se a existência de levantamentos hidrográficos da Bacia de Todos os Santos, onde a Diretoria de Hidrografia e Navegação – DHN, tinha estabelecido uma triangulação local. Assim, a PETROBRÁS estabeleceu um datum planimétrico chamado de Aratu, por medição astronômica de um ponto e a orientação através de um lado da citada triangulação.
Pelo emprego de métodos clássicos (triangulação e poligonação eletrônica) a adoção deste datum expandiu-se numa faixa litorânea, servindo de apoio a trabalhos de exploração em terra e no mar. Atualmente, esta rede encontra-se materializada desde o Ceará, no Farol de Itapagé, até o Rio Grande do Sul, no vértice Fronteira, próximo a divisa do Uruguai.


Diferente do ocorrido na região da Bahia e sua extensão pelo litoral, na faixa litorânea norte, que engloba os Estados do Amapá, Pará e Maranhão, foi densificado o datum PSAD – 56 visando o apoio aos levantamentos exploratórios nas bacias marítimas, uma vez que já existiam pontos da rede de trilateração HIRAN na região e que o uso do Datum Aratu se afastaria muito do meridiano original onde fora desenvolvido (planimetricamente), implicando em erros ainda maiores. Como não existem trabalhos atuais na região os dados estão sendo mantidos como na época dos levantamentos.

Acompanhando cronologicamente a evolução das atividades cartográficas no Brasil, as bacias sedimentares terrestres mais interiorizadas, como as localizadas na Amazônia Legal e a do Paraná, tiveram suas atividades exploratórias, de estudos geofísicos e geológicos, desde os anos 50, valendo-se de métodos astronômicos de posicionamento nas regiões mais remotas. A ação da PETROBRÁS nestas áreas foi intensificada a partir dos anos 70 até os dias atuais, estando os dados originais referenciados ao South American Datum – SAD – 69.


Com a atividade de petróleo no Brasil está, em sua maior parte centrada em regiões de abrangência do Datum Aratu, está sendo realizado desde 1998, em conjunto com o Departamento de Geomática da Universidade Federal do Paraná – UFPR, um trabalho de correlação do Datum Aratu com sistemas geocêntricos ligados ao ITRF (IERS Terrestrian Reference Frame) de forma a obter-se com esta modelagem, as Cartas de Parâmetros e o melhor conhecimento do comportamento de Aratu.
As formas de tratamento para o relacionamento entre os data, na PETROBRÁS, até então sempre foram os métodos clássicos com o uso de três parâmetros de translação (dx, dy e dz), com exceção para o de Aratu em que utiliza-se uma regressão polinomial.


Desde os anos 50 a PETROBRÁS tem desenvolvido trabalhos exploratórios na Região Norte do Brasil. Até a década de 70, utilizou técnicas de Astronomia de Posição para apoiar geodesicamente os trabalhos geofísicos na Amazônia. No final dos anos 70, com o advento da Geodésia Espacial, inicialmente através do Sistema TRANSIT e atualmente pelo GPS – Global Positioning System/Sistema de Posicionamento Global tornou-se o principal meio para a densificação deste apoio.
Em meados de 1998, a PETROBRÁS tinha contabilizados cerca de 1.200 (mil e duzentos) pontos por TRANSIT (a maioria translocados) e 3.400 (três mil e quatrocentos) pontos de precisão geodésica por GPS na Amazônia Legal. Para o levantamento topográfico das instalações industriais e dutos na Província Petrolífera de Urucu, em plena Selva Amazônica, são utilizadas as mais modernas técnicas de levantamento topográfico por estações totais.
No planejamento logístico da implantação de Urucu, foram empregadas como fontes de informações cartográficas, os mosaicos e cartas planimétricas do Projeto RADAM BRASIL, além de imagens atualizadas dos satélites de sensoriamento remoto Landsat (norte-americano) e Spot (francês), conforme o Engenheiro Cartógrafo Paulo Roberto Correia de Sá e Benevides (1995), que é Colega de Turma da Autora. Além disso, Urucu dispõe de um SIG – Sistema de Informações Geográficas coordenado pela Gerência de Geodésia visando, principalmente, o monitoramento ambiental da região. O teste operacional do receptor GPS em clareira na Amazônia, originou o primeiro pedido de compra de equipamentos desta tecnologia no Brasil, em 1988. Era a PETROBRÁS na vanguarda da cartografia brasileira.


A Engenheira Eliane Alves da Silva visitou a Base de Operações de Urucu, a convite da Empresa em novembro de 1994 e pode observar a grandiosidade do Projeto da PETROBRÁS, ao sobrevoá-lo de helicóptero por 40 minutos. A cidade mais próxima de Urucu é Tefé, localizada também no interior do Estado do Amazonas, em plena selva.


A Empresa de Serviços GEOAMBIENTE, especializada em SIG, com sede em São José dos Campos, no Estado de São Paulo, desde dezembro de 1997 está desenvolvendo um banco de dados geográficos, sobre a questão integrada de meio ambiente, segurança industrial e saúde educacional para a PETROBRÁS, na Unidade da Amazônia (Juruá – Urucu – Coari – Manaus). Esta unidade operacional ganhou recentemente os certificados ISO 14001 e BS 8800. A PETROBRÁS é a empresa que desenvolve o maior programa de saúde junto à população amazônica, sujeita a várias doenças tropicais, como a malária e o cólera.


Na Região Nordeste do Brasil, a PETROBRÁS possui sua mais antiga zona de exploração e produção de petróleo, onde trabalha o Eng. Cartógrafo Gilson – Salvador/Bahia e mais recentemente o Eng. Cartógrafo Luciano Genro. No mar, são utilizadas de DGPS – Differential GPS e de Geodésia Submarina (sistemas hidroacústicos) no posicionamento das plataformas marítimas de perfuração e produção e dutos e a realização de levantamentos cadastrais. O software denominado PETRONAV foi desenvolvido para integrar o posicionamento acústico submarino com o posicionamento de superfície DGPS nas operações marítimas, na Bahia em 1997.


Em terra são utilizadas as técnicas geodésicas diferenciais de GPS, quando estão sendo relevantadas com maior precisão, as coordenadas dos milhares de poços, instalações e benfeitorias realizadas na Empresa. Da mesma forma, estas técnicas estabelecem os pontos de apoio geodésico aos serviços de prospecção: sísmicas, gravimétricas e magnetométricas, em terra como no mar.


As Bacias do Recôncavo Baiano e de Sergipe-Alagoas possuem base cartográfica na escala de 1:25.000 e a Bacia Potiguar, ortofotos em 1:10.000 geradas pelo INCRA e digitalizadas pela PETROBRÁS. Nestas três Unidades Operativas estão sendo implementados os SIGs locais visando o gerenciamento das atividades operacionais e o monitoramento ambiental. Como foi citado anteriormente, o levantamento geodésico da PETROBRÁS com o GPS permite a existência de base sempre atualizada para compor os SIGs.


Em outras porções do Brasil, como o litoral de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Espírito Santo, existem pequenos campos, os quais estão restritos a eventuais operações de posicionamento de sondas de perfuração e produção.
A Bacia de Campos, localizada na Plataforma Continental Brasileira, no trecho do litoral norte do Estado do Rio de Janeiro, é a principal região produtora de petróleo do país, respondendo atualmente, por 80% (oitenta por cento) da produção de óleo e gás da PETROBRÁS.


Em Campos área além dos seus posicionamentos por DGPS (a Geodésia disponibiliza redes de DGPS, posicionamento diferencial, com link via UHF, HF e Rádio-Farol para todas as embarcações que operam na região), conforme os Engenheiros Cartógrafos da PETROBRÁS Luciano César Sabe Franco e Luciano Montenegro da Cunha Pessoa (1995) e a Geodésia Submarina, que consiste em sistemas hidroacústicos para o posicionamento do leito marinho, uma vez que os trabalhos de exploração e produção de hidrocarbonetos, ao largo da costa brasileira vêm sendo desenvolvido em águas cada vez mais profundas.

No mar, a Geodésia monitora a movimentação de equipamentos de perfuração e produção, como templates, manifolds, estacas de sucção e plataformas dos tipos auto-elevável, semi-submersível e navio-sonda do tipo Floating Production Storage and Offloading, até o posicionamento final na superfície ou no fundo do mar. Em terra, são sinalizadas as posições de poços explanatórios e, após a montagem das sondas, determinadas as suas coordenadas finais.


Os Sistemas Hidroacústicos, através de medições de distâncias e ângulos na massa d’água possibilitam a solução de figuras geométricas, visando à determinação de coordenadas e ao posicionamento de equipamentos no fundo do mar. Foi desenvolvido o SGO – Sistema de Gerenciamento de Obstáculos, que é um sistema informatizado que trata, armazena e disponibiliza as informações cadastrais submarinas da Bacia de Campos, para todas as operadoras da região.


Este cadastro é permanentemente atualizado (com mais de 4.600 quilômetros de dutos rígidos e flexíveis, 1.400 poços, etc.) através de levantamentos das instalações submarinas por meio de embarcação especial, o que garante, desde 1995, a manutenção da meta zero acidente ocasionados por desinformação cartográfica. A aquisição dos dados SGO, foi concluída em 1997 em termos de Cartografia Submarina nas Bacias de Campos e de Santos.


É sabido que a PETROBRÁS tem larga experiência internacional, atuando em diversas regiões petrolíferas do mundo no Oriente Médio, na África, na Europa e na América do Sul. De acordo com o Engenheiro Mecânico da PETROBRÁS Elinaldo de Albuquerque Vasconcelos (1994), a Empresa vem utilizando o Geoprocessamento em projetos de construção de dutos – oleodutos e gasodutos, que são a forma mais econômica e segura de deslocamento do petróleo e seus derivados entre pólos distintos, que por vezes ligam cidades ou refinarias em longas distâncias, visando a manutenção das condições ambientais. Os mapas temáticos obtidos com esta técnica subsidiam a elaboração dos seguintes documentos, necessários em todas as obras de engenharia da Empresa: EIA – Estudo de Impacto Ambiental, RIMA – Relatório de Impacto Ambiental e AR – Análise de Risco.


Dentro desta linha de atuação a PETROBRÁS, inaugurou no dia 09 de fevereiro de 1999, com as presenças dos Presidentes da República do Brasil e da Bolívia, Fernando Henrique Cardoso e Hugo Banzer, em Corumbá, em Mato Grosso, o Gasoduto Bolívia – Brasil, com 1970 quilômetros de extensão ligando Santa Cruz de la Sierra, terra natal do Presidente Boliviano, a Campinas, em São Paulo. Este marco da história não só da Cartografia Sul - Americana, bem como da energia e da economia, vai chegar até o Sul do Brasil, passando pelos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O gasoduto já esta provocando um aumento do desenvolvimento ao longo do seu percurso. A Cidade de Campinas, centro de referência de ensino, atenderá as demandas industriais das Cidades de Limeira, Santa Bárbara do Oeste, Nova Odessa e Americana. Além do uso industrial, o gás natural boliviano, atenderá a fins domésticos e de serviços como a shopping centers.


Através dos diversos exemplos das atividades da PETROBRÁS, neste livro, fica patente que a Cooperação Internacional, só traz benefícios ao desenvolvimento da Cartografia Sul - Americana e incluindo-se os Países do MERCOSUL – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Apesar da quebra do monopólio da pesquisa e exploração do petróleo no Brasil, a empresa vem batendo recordes de prospecção submarina e de descoberta do ouro negro no Sudeste do Brasil.
No mundo em que vivemos são muitas as demandas por alimentos, fontes de energia, serviços, moradias, saúde, preservação do meio ambiente. Se os países Sul - Americanos adotarem métodos, técnicas e especificações comuns nos diversos ramos da Cartografia, a produção em conjunto, reduzirá inclusive os custos dos projetos de engenharia e facilitará a assistência mútua e rápida em casos de emergência, a que todos os países estão sujeitos, como as catástrofes naturais e artificiais como o derrame gigantesco de óleo que aconteceu na Refinaria de Duque de Caxias, na Baía de Guanabara, no início de 2000.

Hoje os desafios da PETROBRAS continuam em toda a Bacia de Campos, Bacia de Santos ( Litoral de São Paulo, Paraná e Santa Catarina), Bacia do Espírito Santo, e as gigantescas descobertas da Camada Pré-Sal.

 

* ELIANE ALVES DA SILVA

Engenheira cartógrafa, geógrafa, professora de geografia e mestre em ciências geográficas
Tecnologista senior do ibge/dgc/gdi
Coordenadora adjunta da câmara especializada de engenharia de agrimensura do crea-rj pelo senge-rj
Conselheira do clube de engenharia
Diretora – secretária da sociedade brasileira de geografia – sbg
Conselheira da associação brasileira de engenheiras e arquitetas – abea
Membro da sociedade brasileira de cartografia

sputinick@terra.com.br

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